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Computação na Educação Infantil segundo a BNCC
- O complemento BNCC Computação alcança a Educação Infantil com ênfase em ludicidade e exploração.
- Algoritmos e sequências aparecem no brincar com o corpo, objetos e regras de jogos.
- O uso de telas, quando existir, deve ser equilibrado, mediado e alinhado às diretrizes de dispositivos digitais.
- Formação das equipes da EI e diálogo com famílias são condições de qualidade.
A Computação cabe na Educação Infantil?
Sim, no sentido curricular do complemento à BNCC: processos e aprendizagens de Computação devem considerar as competências e habilidades previstas, com abordagens adequadas à faixa etária. Na EI, isso se traduz sobretudo em brincadeira, exploração e interação — não em "aula de informática precoce".
A Resolução CNE/CEB nº 1/2022 define normas sobre Computação na Educação Básica em complemento à BNCC, abrangendo etapas que incluem a Educação Infantil. Comunicados e materiais de orientação do MEC, à época da homologação, destacaram premissas como criar e testar algoritmos brincando com objetos do ambiente e com movimentos do corpo, individualmente ou em grupo.
Cabe aos sistemas de ensino estabelecer parâmetros e abordagens. Portanto, a escola infantil municipal ou privada deve seguir o referencial do seu sistema, sempre privilegiando os direitos de aprendizagem e o brincar como eixo estruturante.
Os três eixos na linguagem da infância
Pensamento Computacional: sequências de uma brincadeira, "receitas" de movimento, labirintos no chão, histórias com ordem clara de eventos.
Mundo Digital: conversas sobre aparelhos do cotidiano (para que servem, quem usa, quando usar), exploração sensorial de causa e efeito em brinquedos simples.
Cultura Digital: convivência, respeito, combinados sobre telas em casa e na escola, cuidado com brinquedos e aparelhos compartilhados.
Telas na Educação Infantil: cautela pedagógica
A Resolução CNE/CEB nº 2/2025 traz diretrizes sobre o uso de dispositivos digitais em espaços escolares e reforça a mediação profissional. Em etapas iniciais, o uso — quando previsto pela rede — deve ser restrito, equilibrado e justificado pedagogicamente, sem prejuízo de outras experiências essenciais da infância (corpo, natureza, faz de conta, oralidade).
Atividades desplugadas são, em muitos casos, a melhor porta de entrada. Elas garantem equidade entre turmas e evitam dependência de infraestrutura inexistente.
Ideias de práticas (sem inventar "pacotes milagrosos")
As sugestões abaixo são ilustrativas e devem ser adaptadas ao projeto pedagógico da unidade e ao referencial da rede:
- Percursos no pátio: a criança "programa" um colega com comandos simples (frente, gira, para).
- Sequência de higiene ou lanche representada com cartões ilustrados (algoritmo cotidiano).
- Classificação de objetos por atributos (cor, tamanho, uso) — base para padrões.
- Contação de histórias em que a ordem dos fatos importa e pode ser reorganizada.
- Roda de conversa: "o que é um celular?" e "quando a gente usa junto com um adulto?".
Formação da equipe e parceria com famílias
Professoras e professores da EI precisam de formação específica para não traduzir Computação como digitação ou vídeos longos. Coordenação e gestão devem proteger o tempo do brincar e comunicar às famílias o sentido pedagógico das experiências.
O Monta Monta pode apoiar redes na formação de equipes da Educação Infantil e na articulação com o pátio do Monta Monta nos anos seguintes. Entre em contato para alinhar um percurso contínuo EI ? anos iniciais.
Rotina, espaços e materiais na EI
Incorpore propostas de Computação à rotina já existente — roda, parque, faz de conta — em vez de criar um «horário de tecnologia» desconectado. Cantos com cartões de sequência, tapetes de percurso e caixas de classificação sustentam o brincar com intencionalidade.
Evite excesso de materiais plásticos descartáveis sem propósito. Prefira reuso, elementos naturais e objetos do cotidiano da criança. A documentação pedagógica (relatos, portfólios) deve destacar processos: hipótese, tentativa, colaboração — palavras simples no relatório para a família.
A gestão da unidade protege o tempo do brincar livre. Experiências de Computação na EI são densas quando curtas, repetíveis e alegres — não quando longas e adultocêntricas.
Transição para os anos iniciais
Um mapa de continuidade EI → 1º ano evita ruptura. Compartilhe com os professores dos anos iniciais quais brincadeiras de sequência e quais combinados digitais já foram vividos. Isso permite que o 1º ano aprofunde, em vez de recomeçar do zero ou saltar etapas.
O Monta Monta pode apoiar redes a desenhar essa continuidade no pátio do Monta Monta e na formação conjunta de equipes. O contato com a equipe pedagógica ajuda a calibrar expectativas por faixa etária.
Perguntas frequentes
- Crianças pequenas precisam aprender a programar?
- Não no sentido de linguagens profissionais. Na EI, o foco é exploração lúdica de sequências, regras e resolução de problemas concretos — base do Pensamento Computacional.
- É obrigatório usar tablet na Educação Infantil?
- Não. O complemento define aprendizagens; a abordagem cabe aos sistemas. Diretrizes de 2025 pedem uso pedagógico e mediado de dispositivos, com especial cuidado nas etapas iniciais.
- Onde está isso na norma?
- Na Resolução CNE/CEB nº 1/2022 (complemento BNCC Computação) e, quanto a dispositivos e educação digital/midiática, na Resolução CNE/CEB nº 2/2025.
- Como registrar essas aprendizagens?
- Por observação, fotografias autorizadas, relatos e portfólios — coerentes com a avaliação da EI — evidenciando processos, não notas classificatórias.
Fontes
- Resolução CNE/CEB nº 1, de 4 de outubro de 2022 (Normas sobre Computação na Educação Básica – Complemento à BNCC)
- Resolução CNE/CEB nº 2, de 21 de março de 2025 (Diretrizes sobre dispositivos digitais e educação digital e midiática)
- Lei nº 14.533, de 11 de janeiro de 2023 (Política Nacional de Educação Digital)